Dessa vez não quero falar sobre mim, sobre você nem sobre os plurais, tentarei ser rápida para a simplicidade não ter tempo de fugir da palma da minha mão. O quão duradouro podemos ser, em um dia te abraço, em outro te sinto. Despertamos do mais profundo dos sonos, em busca da coragem pra mais algum medo que fingimos não ter, acordamos em busca de motivos para acordar. Onde já se viu fantasiar a realidade sendo realista? Os efeitos da Sindrome de Pollyana ainda não acabaram com vocês, seria bem mais fácil admitir que não há facilidade, seria melhor acreditar que não há no que acreditar. Essa fé que teu peito carrega é só um dos sintomas do mal que te rondeia, só repetimos aquilo que nos faz sentido, por isso só repetimos as palavras cíclicas de sempre. Como desejar o bem sem conhecer o mal? Abri minha alma, mesmo involuntariamente, busquei força para uma fraqueza que talvez não fosse minha, mas aqui estou, mesmo assim, atrás do combate. Nossa inteligencia não é feita de conteúdos, a estratégia foi feita depois das falhas das antigas. É uma pena ver que da sua varanda não dê para enxergar estrelas tão bonitas, mas uma pena maior ainda saber que elas somente se escondem diante dos seus olhos.
Só por um feixe de luz, cruzei uma corrente em teu olhar e acabei me aprisionando a ele. Esta noite não achei tua sombra no meu quarto, por mais que tentasse me esconder atrás das cobertas e medos que tanto havia temperado para você ver alguma graça, essa noite simplesmente não havia gosto algum, não havia nenhuma essência que te fizesse querer ficar para uma xícara de chá. Não houve malandro que roubasse minhas meu conforto, não houve soldado que matasse minha honra, mas houve o tom de ternura que se espalhou em mim e logo depois se foi. Não é uma batalha, mas mesmo assim me sinto atingida. Não há somente uma boca na miséria para alimentar, mas mesmo assim, não consigo me desfazer da mesma. Somos estranhos que deixaram de se conhecer ou apenas conhecidos que decidiram se estranhar? Não há tempo que nos salve da morte. Não há paz para os abençoados. Tinha as cartas perfeitas pra te fazer prêmio e preferi vendê-las por um pouco de repouso.Tantas palavras bonitas não combinam com essa história, nem um pouco.É uma pena não te ver rezando nenhuma prece, nem fazendo nenhuma promessa, é realmente uma pena, saber que no teu céu não houve santo forte o bastante pra te salvar, mas pior ainda é saber que tua maldição é perpétua, continuará aparecendo toda vez que você perguntar como foi meu dia, se mostrará toda vez que você acordar e olhar para ver que hora é e se você terá tempo suficiente para tomar café da manhã ou não. Não posso descrever algo que não conheço, mas posso afirmar com uma certeza admirável que há ainda algum resto de café no bule, talvez frio demais para você queimar sua língua, mas frio o suficiente para você nem querer tomar. Mágico nenhum perde o dom da ilusão, nem ao menos perde sua cartola, é uma pena saber que na hora que você chamou voluntários, só havia você na sala.
Cada movimento seu era como as pétalas de uma rosa se abrindo em frente aos meus olhos.Tua essência, tão pura, exalava aquilo que tu me representava naquele momento, a mais nítida das esperanças de uma primavera feliz. Egoismo talvez, achar que bebendo da água dos deuses, fosse me tornar uma. Se ontem cantei ao som do silêncio, hoje me tranquei ao som das trevas. O céu, chuvoso, representava o mesmo momento em mim. Vivia numa emboscada, fugindo de alguma armadilha que me levasse de volta para o reino que eu costumava reinar. O azul das paredes me aqueceram, a porta, me lembrava que havia algo lá fora, um mesmo algo que havia me trazido para aquele empoeirado quarto azul. O tempo te escondeu ou me cegou? A um passo de ter o sol queimando na minha pele, tua voz conversou com a minha mente, ecoou a sonora queima das memórias. Te deixei junto com os outros cacos de vidro, achando que passar por cima seria mais fácil, mas você se encaixou perfeitamente a minha inocência. De vítima, te tornei réu.Rompeu a fragilidade que tanto amava e cultivava, se tornou antidoto de todos menos meu.Dessa flor murcha, só sobrou os cravos que cortaram nossos dedos. Só te peço, como último desejo, que olhe um pouco mais antes de escolher seu exército. Não será qualquer um que levantará a espada por você.
Minha vida não se compara ao vinho. Não houve uma melhora significativa dentre seus nós.Quando já haviam copos demais sobre a mesa, não conseguia ver mais o que estava bebendo.Como você enxergaria pelos meus olhos? Tudo escuro ou somente a clareza? Briguei com a vida ainda no berço. Então, aquilo tudo que deveria estar queimando, congelou há muito tempo. Teus olhos, que tão antigamente pareciam simples, hoje se fecham rapidamente demais. Somos todos resultados do mesmo meio, então por quê não conseguimos nos entender? Sou a tua escolha do tudo ou nada,o veneno que te fez metamorfose, o colo na tua depressão e o fósforo aceso do teu incêndio, sou todas essas metáforas e mais algumas palavras de ódio. Teu improviso veio da minha boca, tua hipocrisia do meu silêncio. Se fui a sombra que te matou por dentro, saiba, que havia muitas palavras ainda para serem ditas e que todas elas poderiam ter sido mais previsíveis. Reconheço que depois de tantos anos com o punho aberto, andar com ele fechado ainda não me é um costume. Odeio odiar aquele me fez, odeio ainda mais ser parte dessa massa. Os leves acordes tocam e de repente acordamos em outra dimensão, secamos os olhos pelo medo de deixá-los fracos novamente. Pode seguir seu caminho pra casa, no teu chão eu não piso nem mais um passo. Suas criações antigas queimaram no chão, será só mais um que escreverá um livro sem frases concretas. Lembrou da minha história quando eu nem ao menos lembrei de sua face.Você agarrou meu braço quando decidi partir. Eu, agarrei meu orgulho quando te vi sair.
A gravidade se aplica a todos, tudo que sobe, desce. Só entendam que o que seus olhos veem não interessa a você. Recolham minhas jóias, queimem minhas roupas, quebrem todos os perfumes, mesmo assim continuaria fugindo pelos cantos dessa cidade. Reclamam do barulho que faço, mas possuem o mesmo teto de vidro que eu. O sangue frio que eu mim não corria, é sentido nas minhas veias. O sangue frio que me proibiram de ter, foi o mesmo que me criou. Onde é que existe humildade na terra do poder? Tenho escrito muitas histórias para entreter vocês quando a luz acaba, mas quando a luz volta, não recebo nada em troca. Meu desespero não te enche de orgulho, eu conto até três e logo já ouço o fim próximo. A sanção que tanto temem, nunca deixou de me atingir, até mesmo quando eu não merecia ela. Eu fiquei de joelhos, orei para ver se o tempo parava e obtive a mesma resposta de todas as vezes. O mesmo que me conforta, me responde. O silêncio que conversa comigo, te chama a noite. Se me acha fantoche, piada, não reconhece que me posicionei nessa linha ha muitos anos e que com todos os desequilíbrios que tive, me mantive aqui, assistindo vocês e suas cara de espanto.Minha zona de conforto termina quando a minha zona de perigo, criada por você, se aproxima. Me escondo de chegar ao teu céu, pois foi o mesmo que me deixou numa tempestade da outra vez. Eu tentei me aproximar do chão, pois por mais difícil que pareça entender, pensava estar completa lá. Me deixou pensar que haveria mais vida lá fora, pra depois me puxar pros teus braços de volta. Deixei tudo explicado no papel na porta da geladeira. Dormirei algumas vidas fora, só para não encontrá-lo novamente, mas não precisam se preocupar, um dia eu ainda volto.
Minhas mãos bloqueiam o sol de chegar aos meus olhos, eu não quero voltar, mil vidas me levaram somente a tua, mil parágrafos para levar ao final de história nenhuma.Se pulo da ponte, não desejo que você pule depois. Tarde, chega a vingança, seduzindo todos vocês para o fracasso.Cedo, o nó apenas se complica, formando mais laços, se amarrando a nós e as nossas perspectivas. Dê mais um passo, mas mantenha seus olhos nos meus. Até onde minha voz chega para te controlar tanto? Vocês usaram minha vida de escudo para uma guerra perdida. Logo, as chamas cobrem teu corpo. Logo, tua janela completa outra paisagem. Olhem para mim, não sei até quando durará essa confiança, mas continuem a me reverenciar. Posso montar meu império, ter essa coroa em minha cabeça, mandar todos aqueles que me mataram em outra vida para a forca, poderia até mesmo deixar a cidade toda passando fome, mas algo disso iria afetá-lo? Se quisesse me confessar a ti, poderia contar minha vida toda? Toda uma estante de prêmios que eu não ganhei, todo um palácio que não foi ocupado. Tenho um barco a remar, direções e mais direções a procurar. Temos todos lugares para sentar e escolhemos bem o mais perto da saída. Você desenha no guardanapo e eu olho para a janela e o relógio.Não vou escrever teu nome na minha agenda dessa vez. Não vou deixar teu nome domar minha mente, pois hoje, isso somente segue o ritmo do vazio.
Se você puxar a alavanca, todos nós sobreviveremos. Sinto falta dos dias que falávamos com palavras. Se minha vida fosse um livro, as páginas gritariam com as chamas levando seus pedaços e terminariam em pó somente. Tenho uma mancha negra em meu peito que se espalha por meu corpo inteiro, serei consumida logo, mas apenas deixarei alguns trechos da minha miséria aqui. O ar em meus pulmões não é o bastante para sobreviver mais uma hora.Meus olhos sangram, parecem limpos da distância em que vocês estão enxergando, mas basta fechá-los para ver algumas gotas escorrendo. Não corro perigo, já que meu perigo está dentro de mim. A única que pôde me matar era a mesma que tentou me proteger.Não vou seguir nenhum de meus sonhos, não vou completar nenhum de meus desejos, todos eles um dia foram torturados pelas suas palavras. Fazer aquilo que você gosta, é o mesmo que fazer o que te mandam fazer, certo? Até onde você influencia em mim? Você perfurou meu coração quando eu nasci, e tentou consertar. Você tirou o único lado meu que ainda valia alguns elogios e depois me perguntou quem era tão cruel a esse ponto. Meu céu não é estrelado, as flores perderam sua graça, tudo aquilo que deveria parecer bonito, se tornou só mais uma estrada à caminho do inferno. Não me abençoe com alguns prazeres, minha vida já está em alguma lixeira desse caos. Eu achei que pudesse, mas não posso.Suas mentes doentias tiraram o coração que batia em mim. Trago em mim o sangue do diabo, trago em mim o veneno do castigo.A banheira cheia d’água está alagando todo banheiro, a porta já está trancada, se fui tanto tempo exceção, por que não seria agora? Tenho um nome a manter, tenho uma linhagem a continuar, tenho uma morte a reinar.
Conviver com um fantasma em sua história não é exatamente o principal desejo que queremos em nossas vidas. Ele não é meu protetor, não me livra de nada, só me traz a sombra pertencente a outra pessoa. Meu mal é esse. Fui engolida por uma onda que nunca mais me deixará ver a superfície novamente. Repetem ” É só uma corrente presa ao teu pé, apenas conviva”. Dizem isso porque não foram abençoados com o dom da exceção. É bem mais do que uma corrente no pé. Havia sido trazida pra apresentar a minha parte e depois voltar pra jaula. Me libertaram da vida atrás de grades, mas ainda convivo com nós na garganta. Teu sangue me apodrece. Não gaste sua saliva tentando arrancar algum espaço pra você nesse trem. Pode tentar arrancar alguma palavra carinhosa dentre as tantas que poderia te falar em outra vida, mas nessa somente cuspirei em tua cara. Não sou escrava de uma história mal resolvida, não sou o resultado de uma mente recheada de rancor e muito menos uma isca pra você tentar capturar algum orgulho. Me usou de escudo e eu te uso de alvo. Teus presentes baratos não compram nem um mísero sorriso, tua falsa preocupação não muda um centímetro do nojo que sinto de você. Podem exclamar que meu veneno é tão peçonhento quanto o que envenenou a comida de vocês aquela noite, mas garanto que nem todas cobras possuem a vontade de respirar o ar sozinha.Sinceramente, teu veneno não matou nem minha raiva, nem meu nojo. No fundo, teu veneno não passa de água nesse meio. Costurou a boca na hora de dizer algo que prestasse e somente abriu para asneiras, plantou o autoritarismo na vida de uma cidade em ruínas. Julgue tua visão embaçada de realidade e lembre-se que não quero ouvir nenhum trecho de desespero em seus discursos, isso é um circulo vicioso, você é uma carta fora do baralho desde que eu nasci. Eu não sou a mesma das suas memórias, não sou um rei fugindo do xeque mate. A defesa que criei esse tempo todo não é quebrada com soldados de papel. Onde está a coroa agora? E a pose? Você mandou tão bem no seu império que agora tua recompensa está ai, a solidão e algumas moedas perdidas. Com teu respeito abaixo do inferno, sua mente já te serviu de purgatório? Se confessou com as paredes e nem elas te aceitaram.Você me expulsou do seu quarto e eu te expulsei da minha vida.
Não tenho mais vidas para desperdiçar, todas as minhas antigas se acabaram da mesma forma e eu não tenho mais tempo pra assinar a capa do mesmo livro. Joguei sementes no jardim morto dentro de mim, deixei a falta de ar pra buscar outras necessidades e sair da masmorra suja e cheia de ratos que havia me prendido por vocês. Tenho ainda alguns dias para cumprir aquilo que prometi e tentarei utilizá-los a meu favor dessa vez. Me chamem, gritem mesmo meu nome! Gritem mais um pouco, ainda não tenho vontade de responder vocês. Pra vocês, ídolos da ignorância como é não ter esconderijo? Não quero concorrer a uma vaga para sentar ao lado de vocês, não quero me humilhar para poder aumentar seu ego. Vivem numa gincana, achando que o prêmio final já está com o seu nome escrito com diamantes. Se falei no inicio do texto que te amava, nas últimas linhas deixarei claro que o ódio em mim pertence a você. No inicio você manipulou e no final se tornou o brinquedo do cachorro deles. Saiba que quando eles forem pra praia com a família, você não irá junto.É só mais uma madrugada em que você não dorme, só mais uma noite que sua mente te mantém paranoico. Há novas esperanças pra quem não enxergou o rumo da história, viverei sempre na calçada oposta aos fracos, pois foi lá que um dia andei.
E o que vocês sabem de mim? Meu nome, meu endereço, minha idade e mais algumas bobeiras. Isso não me faz ter a alma no nome de vocês. Isso não me faz habitante dessa ilha. Estou me queimando em vocês, secando meus sentidos, acolhendo as chamas, atrás de água, ou talvez álcool logo. O guarda-chuva não evita as gotas d’água no meu rosto, minha cama não me protege dos pesadelos e muito menos as rosas fazem meu quarto parecer mais receptível. Se eu retirar um tijolo, poderia quebrar o resto da parede? Horizonte, se puder me escutar, saiba que um dia chegarei até ti. Sobrevivi de olhos abertos, mas e de olhos fechados? Algo me diz que enquanto corroo meus pensamentos, você corroí sua boca. Me procure quando estiver sóbrio, me procure quando tuas algemas estiverem frouxas.O mundo não me acolheu, não me deixou opções a não ser não confiar mais em mim mesma.Você me diz que não esconde nada, mas até onde acreditar em quem mentiu até que se viu pega? Não me faça ficar perto das ondas se eu não posso tocá-las, estou longe demais de algo que fez sentido, estou longe demais de quem quis fazer sentido. Achei que esse inverno não sentiria frio, e olha onde estou, do lado de uma lareira com cobertores de cores variadas, esperando uma gota de suor nesse corpo gelado. Definam o que querem de mim e lhe entregarei o que quero ser pra vocês. Não me ligue pra perguntar se está tudo bem quando a calmaria só vem depois que você desliga. Eu ainda tenho muitas roupas pra pendurar, muitas luzes pra apagar e muitas linhas pra escrever, mesmo em folhas já escritas.
E aquelas velhas raízes que seguravam meus pés, me soltaram de uma vez. Não mais protegida, crio minhas armaduras contra o mundo. Me soltei da forca enquanto ninguém olhava, peguei minhas coisas e deixei cada pedaço de corda pra trás.Me sacrifiquei por uma linha tênue que não me satisfazia em nenhum de seus lados e então cortei ela ao meio, junto com todos conselhos que havia dado aos outros escravos.Não tenho que me apresentar para quem decorou meu nome durante esses anos todos, só quero que entendam que o fundo do poço foi apenas diversão para mim. Deixei as frescuras pra cavar um esconderijo com as minhas mãos, deixei todos meus mapas pra trás.Roubei a folha do seu caderno para escrever uma nova história, roubei a caneta do seu estojo para riscar a sua face.Me deu suas moedas em troca do meu trabalho.Tenho uma mísera esperança de satisfazê-lo, tenho uma mínima esperança de criar bases para minha pobre construção. Pronto ou não, lá vou eu. Eu não queria brincar com vocês, mas o que um bando de infelizes não faz? Agora me tornei do mesmo sangue que vocês, me tornei parente de uma família falida e sem nome nenhum na cidade. Me perguntaram se eu havia alguma ambição e eu simplesmente ignorei. Agora respondo novamente a pergunta com brilho nos olhos. Te deixei um recado no bolso da sua calça dizendo que estaria fora por alguns dias, mas pelo que parece, meu lugar é longe dai.
Novamente guiada pelo destino. Não será a minha garganta que irá pra guilhotina dessa vez. Me afasto de cada singelo abraço para proteger uma recompensa que ainda nem tocou em minhas mãos. Escrevendo uma história onde só há espaços pra desgraça, não sobrará expectativas de felicidade no final.E para poupar suas lágrimas no final, mudarei um pouco alguns detalhes.Um plano perfeito, não exige plano B. E parece que até agora todos os meus exigiram opções demais.Fiz um pacto comigo mesma de não gastar minha saliva com hipocrisia, muito menos com estupidez. Gaste todo seu dinheiro em máquinas caça-níquéis, sua sorte não conduzirá a noite, muito menos seu fraco instinto. Levante o copo de champanhe e grite bem alto o quanto está feliz, distribua bebidas e no final sairá acompanhado apenas dos seguranças. O topo do mundo é ilusão sua, ou talvez a ilusão que te colocaram. Segurei essa escada quebrada para você subir em segurança, mas posso soltá-la a qualquer momento. Você tem as costas cheias de arranhões e talvez tenha se orgulhado por chegar tão longe, mas me diga, até onde suportará ser laranja de um crime que você não cometeu? Só escutamos aquilo que queremos ouvir, e você com certeza é perda de tempo escutar.Seu hálito podre exala o resultado da sua vida.A força que doei para sua vitória ficará mais bonita em mim quando dominar tua aldeia. Não me falta sangue pra batalha, se aqui era uma casa feliz, agora deve estar se tornando o berço dos demônios. Te prometi mascarar minha presença mas não minhas promessas.
Não adianta. Nenhum véu consegue cobrir o que estava na sua cara.Olhamos para um mesmo céu, em busca dos mesmos desejos esperando que algum deles simplesmente caísse junto a chuva.Por que em tua voz fica mais confortável de se escutar o mundo acabando? Daqui podemos tocar as estrelas, deitar no chão e cantar milhões de músicas clichês. Brincando de inocentes em um terreno queimado pela maldade, cortamos as raízes da plantas venenosas e tentamos colher alguma coisa nova.Reconhecidos de longe, desenhamos um novo paraíso no chão, esperando que alguém viesse a nos descobrir. A ausência de regras me apresentou ao rosto mais convincente da entrada do abismo. E se as paredes escutaram algo a mais, não é novidade no meio em que estávamos. Dormimos na madrugada imaginando não acordar no dia seguinte, não queríamos ver o sol nascer, não queríamos ver as estrelas, não queríamos nada.Eu rezei pelo nada e recebi o seu oposto, pedi pelo vazio e recebi o inverso, estávamos lá para brincar com os números, mudar uma sequência absoluta e não entregar o resultado. Tantos papéis numa mesa, não vão fazer com que eu pare pra ler cada um deles. Calcem suas botas e explorem o quanto quiser. Se meu nome é tão temido, garanto não ser invenção minha. Respirem o quanto quiserem deste nosso ar, abracem nossas paisagens e aplaudam nossas obras. No dia seguinte a festa acabará, e só sobrará a ressaca para curar seus olhos tão maravilhados.
E mesmo de onde se abrem os olhos da realidade, encontram-se visões cegas pela luz do sol. E mesmo de onde se esconderia o paraíso, acham algum resto de sofrimento para batizar nossa honra. Se entregar nos devaneios leva a perdição a nos invadir em segundos, e certos desejos devem somente ser…
Um momento de otimismo surge debaixo de algumas caixas empoeiradas.Talvez seja apenas a beleza do nada retornando a nossas vidas, ou talvez seja apenas as folhas que caem embaixo das árvores. Tirei alguns dias pra alimentar a coragem, sair do campo e limpar toda sujeira que havia deixado em cima da mesa.Bancada pelas músicas do passado, vivia eternamente sob o olhar de proteções inacabadas. O mesmo mar que te liberta, é o mesmo que te afoga. As marcas dos dedos entrelaçados continuam na minha mão, minhas palavras repetidas só servem de prova que desejamos as mesmas coisas. Queria tanto vir aqui e te contar das tardes que tanto deixaram a desejar, queria poder contar das flores colhidas, das pétalas arrancadas e dos malditos espinhos, das letras desperdiçadas no papel de carta, mas procurarei apenas escrever o que minha mente acreditar. Não aumentarei muitas expectativas dessa vez, eu gostaria muito de jogar o dado novamente, mas sei que meu ânimo não melhoraria com o resultado. Mais uma xícara de café, mais um conto lido, cada monotonia se assemelhando com nossa rotina. Como sentir falta de algo que nunca existiu?O neutro é muito mais atraente do que o vazio, e o impossível bem mais sedutor que o pouco que nossos pés conseguem chegar.Me dê sua atenção quando voltar a beijar a minha testa antes de dormir, enquanto isso, somente apague as luzes quando meus olhos já estiverem fechados.